sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Talvez daqui há 20 ou 30 anos, meus netos me vejam diante de uma caixa
segurando a foto de um menino com o cabelo arrepiado e um microfone na
mão. Talvez eu esteja chorando, ou simplesmente sorrindo com as
lembranças que me vieram na mente. Pode ser que eles se preocupem, ou
talvez não… quem sabe quando isso acontecer, eles ja saberiam quem era o
tal garoto por quem eu ainda sofria de saudade. Eles vão saber, eu sei.
Vão saber que foi o homem que eu mais amei na vida, o único que me
despertou um amor puro, sem querer nada em troca, apenas único e
exclusivamente: o meu amor, o que na verdade, era tudo que eu podia dar.
Pode ser que eu já tenha te visto na rua, com seus cabelos grisalhos e
seu jornalzinho, e o meu coração ter disparado, assim como há tanto
tempo atrás. O tempo… ah o tempo! Dizem que na maioria das vezes, quando
o assunto é o coração, ele é sempre o melhor remédio… Confesso que
nesse caso, duvido dessa afirmação. O tempo é dolorido, deixa saudades,
ele simplesmente passa… e você, bem, você fica. Você fica com as
lembranças, que fazem você rir mesmo no meio de uma multidão, e que faz o
seu dia se tornar especial. Pode ser que eu ainda tenha todos os cds
guardados, ou talvez já tenha jogado a metade fora depois de todo esse
tempo. Pode ser que eu já nem me lembre mais do seu sorriso, ou que
ainda esteja esperando você voltar do trabalho, segurando a foto do dia
em que nós nos conhecemos.

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